...Mas por que realmente estudar a Kabbalah?

Um dos maiores objetivos de estudarmos os mistérios da vida, através da Kabbalah, é que ela traz para  aquele que experimenta seu gosto, o gosto e o sabor de D'us. D'us, necessariamente não possui um gosto, mas através do contato com a nossa alma podemos manter uma relação permanente com diferentes universos e percepções de D'us, e através disto, acendermos, crescermos e participarmos do que se chama

evolução espiritual.

O estudo da Kabbalah nos traz um processo de  harmonização. Ela vem para ajudar a humanidade, fazendo com que conheça esta unidade (D'us) e a interconexão mutua  entre todos os aspectos e acontecimentos, para adquirir um estado de consciência na qual tudo se percebe, como inseparável da unidade cósmica. Mas para experimentar e perceber esta união é necessário o contato com a realidade máxima. 

Alcançar estados alterados de consciência é perceber que tudo que é separado se percebe como componente de um vasto contínuo, intimo e universo interligado. Ver diferentes tempos e movimentos, com isto, percebemos que nossas mentes estão muito presas em uma única forma de pensar e perceber a vida, buscamos conceituar tudo, precisamos de explicações todo o tempo, ficamos presos naquilo que é só aparência, ou imagem, no literal, sem se quer nos esforçarmos para perceber o oculto, o que está por traz. Ficamos escravos das imagens, e não dá essência. Com o tempo desenvolvemos uma postura física e emocional robótica, tornando-se escravos de nossos próprios complexos. Buscar a unidade é estar em unidade, aproximar o consciente do inconsciente, o real do irreal, o invisível do visível. Com exercícios específicos e ampliação de nossa mente, podemos experimentar outras realidades, pois segundo os sábios, nossa vida é como estar em um prédio com varias salas de cinema, em cada sala está passando um filme de nossa vida, em cada está uma história diferente, um destino diferente, mas ficamos sentados assistindo sempre o mesmo filme, nos queixando da vida e dos outros, e esquecemos que a mudança de destino depende de nos levantarmos e mudarmos de sala, é deixar de ter uma reação reativa, para uma ação pró-ativa, deixando de ser conseqüência para sermos a causa. Com isto nosso destino está em nossas mãos, mas continuamos inconsciente de nós mesmos, com olhos abertos, como Adam, só vemos o outro, e não encontramos nossa própria identidade, deixamos de escutar o coração, que é a fonte da vida e a representação do universo e da criação (dinâmica divina), para escutarmos as opiniões dos outros. Estamos presos em um mundo conceitual, e não conseguimos viver sem as explicações lógicas e científicas, com isto negamos nossos sentimentos e percepções individuais, negamos o Uno e a essência. 

O ato de tirar véus, é o ato de lutar contra cascas (Klipot, em hebraico), que são os conhecidos demônios. É sair da escuridão em que vivemos para experimentar um mundo de luz. Isto é expansão de consciência, a percepção de que existem outras realidades internas e externas. 

 

Quando nos conectamos com a realidade da Torá (Pentateuco), através de leituras e análises, estamos trazendo a sua energia inteligência para a atualidade, a realidade dos Patriarcas, onde cada um é uma  Merkavah  (Carruagem), com eles nos conectamos no nível de percepção que viviam, e assim  poderemos nos comunicar diretamente com D'us, sem a existência de intermediários.  

Na descoberta da essência, descobrimos a alma, a consciência e nela, novas formas de ser e criar, nos libertamos do universo finito do Estar e Ter. Trazemos a riqueza de nossa alma para alcançarmos níveis mais altos e mais ricos, compreendemos as leis espirituais e o propósito da existência. 

O Cabalista busca separar o mal do bem, a mentira da verdade, e para isto precisa sair dos marcos das referências limitadas, precisa descobrir o verdadeiro mal do mal, o bem do bem, ou mal do bem, e bem do mal. 

O grande objetivo do cabalista sempre foi o Tikun Olam (retificação do mundo), que hoje se reserva em TikunHaNefesh (retificação da alma animal). Ao descobrir a si mesmo estaremos no caminho da descoberta do que é e quem é D'us e seus preceitos, mandamentos e sua  importante presença entre nós e dentro de nós. 

Perceber D'us em tudo é realmente compreender  o “amar ao próximo como a si mesmo”, é desenvolver uma alma ecológica ou consciência ecológica, onde tudo é sagrado. Esta sacralidade é que mantêm D'us vivo e presente, assim como, nossa alma. Neste caminho nos tornamos “Imagem e semelhança de D'us”, deixamos de ser reprodutores para sermos criadores. 

A Kabbalah exercita o coração e a mente, criando um novo modo de pensar, unificando nosso ser, trazendo coerência e harmonia entre o pensar-sentir-agir. Nos mostra as conseqüências das ações, estabelece relações entre os acontecimentos (coincidências, sincronicidade), entendimento da linguagem simbólica, entendimento dos limites (finito), abertura para as revelações (insight, feeling), entendimento do todo (da interligação entre homem-universo-D'us ), conexão psico-espiritual, renova e imortaliza a tradição, é um conteúdo de ensinamento (valores, história), a concretização do monoteísmo (unicidade=coerência). 

Ao utilizar os princípios da kabbalah aprendemos a transcender as influencias negativas e buscar maior controle pessoal e cósmico. Mantras, meditações, orações, leituras, estudos, musica, dança, contemplação e concentração são os instrumentos sagrados e dados por D'us, para que possamos ascender na Arvore da Vida, ou Escada de Yacoov, com isto tornar a nossa vida uma espiral e não um circulo de repetições, onde fazemos o Oroborus, a serpente que só se relaciona consigo e não se abre para outros universos. 

O crescimentos e evolução do ser humano está ligado a descoberta de sua escravatura, a passagem pelo deserto e a chegada na Terra Prometida, a terra, não o paraíso, isto é, nossa evolução está ligada ao mundo físico, onde existe maior respeito, trabalho, prosperidade, riquezas, um mundo de lutas, perdas e conquistas, de perguntas e respostas, mas um mundo interno dinâmico, onde a maior evolução se dá dentro de cada um de nós, onde se tornar D'us, é reconhecer as nossas intenções, emoções, medos e inseguranças. 

 

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